Se autopromover é brega
O paradoxo de quem quer ser ouvido mas tem vergonha de querer. E o que o storytelling tem a ver com sair dele.
Se autopromover é brega
Numa sala de cinquenta pessoas querendo melhorar sua comunicação, um questionário revelou duas respostas que parecem apontar em direções opostas. Uma delas: “Vender melhor meus produtos sem ter que ficar só nos gatilhos que ninguém aguenta mais.” A outra: “Tenho vergonha de me expor.”
Uma quer resultado. A outra tem vergonha de tentar. Mas as duas descrevem o mesmo nó: tem algo que fascina e paralisa ao mesmo tempo. “Da mesma forma que me fascina, me dá pânico.”
O pânico tem um nome preciso: medo de ser julgado por querer ser ouvido. Querer atenção, na escala de julgamentos morais que circula nessa conversa, ficou junto de arrogância, de vaidade, de ego inflado. Quem quer aparecer sente a obrigação de disfarçar o desejo ou de se justificar por ele.
E aí surge o paradoxo que muita técnica de comunicação não consegue resolver: como você publica com vontade real se tem vergonha de querer publicar?
O storytelling resolve isso mudando a moldura do que está acontecendo quando você conta uma história.
Uma história bem contada é um outro que viveu algo, e você está do lado de cá registrando. A atenção vai para o que aconteceu, não para quem está contando. A câmera aponta para fora, não para dentro.
Quando a moldura muda, o desejo de ser ouvido e a vergonha de aparecer deixam de estar em conflito. Você está apontando para algo.
O que antes era exposição vira serviço. E aí a trava não tem mais para onde ir.